Dieta Cetogênica e Bafômetro: Falso Positivo Por Low-Carb?
Resposta direta: A dieta cetogênica (low-carb/keto) pode, em tese, causar uma interferência mínima e transitória em etilômetros mais antigos sem filtro de interferentes, pela produção de corpos cetônicos (especialmente acetona). Nos etilômetros modernos homologados pelo INMETRO no Brasil — como o Dräger Alcotest 9510 BR — o problema é muito reduzido porque o equipamento tem discriminação automática de substâncias interferentes. Na prática, a tese de falso positivo por dieta cetogênica é fraca sem exame de sangue como contraprova e sem prova do modelo específico do equipamento usado.
Como a Dieta Cetogênica Pode Interferir no Etilômetro
| Fator | Dieta Cetogênica | Diabetes com Cetoacidose |
|---|---|---|
| Substância produzida | Acetona e outros corpos cetônicos | Acetona em concentração muito maior |
| Nível de cetose | Leve a moderada (dieta voluntária) | Grave (emergência metabólica) |
| Interferência em aparelhos modernos | Mínima — filtro discrimina | Possível em aparelhos sem filtro |
| Força da tese defensiva | Fraca — exige prova técnica do aparelho | Moderada — com laudo médico |
| Exame de sangue como contraprova | Essencial para confirmar | Confirma cetose + ausência de etanol |
O Que a Ciência Diz Sobre Dieta Cetogênica e Bafômetro
Estudos do NHTSA (National Highway Traffic Safety Administration, EUA) mostram que dietas cetogênicas podem elevar o resultado em etilômetros de 1ª geração em até 0,06 g/100mL de sangue (equivalente a ~0,03 mg/L de ar alveolar). Esse nível de interferência seria insuficiente para cruzar o limite brasileiro de 0,05 mg/L de ar alveolar (Art. 276 CTB), mas em pessoas com resultado próximo do limite pode ter relevância. Nos aparelhos modernos com discriminação de interferentes, a elevação observada é menor que 0,01 mg/L — clinicamente irrelevante.