Alguns medicamentos de uso comum podem interferir no resultado do bafômetro, produzindo leituras que sugerem consumo de álcool quando o motorista não bebeu. Este artigo explica quais remédios podem causar esse efeito, por qual mecanismo, e como usar esse argumento na defesa.
Mecanismo das interferências medicamentosas
Etilômetros de infravermelho — menos comuns nos modelos aprovados no Brasil, mas ainda em uso — reagem a qualquer composto que absorva luz infravermelha na mesma frequência que o etanol. Isso inclui certos grupos de compostos orgânicos voláteis presentes em medicamentos. Já os etilômetros de célula eletroquímica são mais seletivos, mas não imunes a interferências por álcoois diferentes do etanol (como isopropanol e outros).
Medicamentos com potencial de interferência
- Antissépticos bucais com álcool (Listerine, Oral-B, etc.): o uso antes do teste pode elevar temporariamente a leitura do bafômetro. A Res. CONTRAN 432/2013 exige aguardo de 20 minutos após uso de colutório — descumprimento desse prazo é fundamento de recurso
- Xaropes com álcool etílico: alguns xaropes para tosse contêm álcool etílico como veículo. Uso recente pode elevar leitura transitoriamente
- Inaladores e sprays bucais: propelentes podem interferir em equipamentos de infravermelho
- Medicamentos para diabetes (metformina): em cetoacidose diabética, a produção de acetona pode interferir
Como documentar a defesa
- Receita médica do medicamento contemporânea à autuação
- Bula do medicamento indicando teor alcoólico ou compostos orgânicos voláteis
- Laudo médico confirmando o uso prescrito
- Verificação do tipo de sensor do etilômetro pelo número de série — se for de infravermelho, o argumento de interferência é mais sólido
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